

Priora (2170)
Lada
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Priora – A tentativa de modernização total
O Lada Priora, identificado internamente como VAZ-2170 na carroceria sedã, representa o esforço mais consistente da AvtoVAZ em atualizar sua linha compacta sem abandonar completamente as bases técnicas herdadas dos anos anteriores. Lançado oficialmente em 2007, o Priora surgiu em um momento crítico para a indústria automotiva russa, pressionada pela entrada de fabricantes estrangeiros, pelo aumento das exigências regulatórias e pela mudança clara nas expectativas do consumidor doméstico. Diferentemente de seus antecessores diretos, o Priora não pretendia apenas sobreviver por inércia industrial, mas sim recuperar competitividade real em um mercado que já não aceitava soluções excessivamente arcaicas.
O Priora pode ser entendido como a evolução final da família iniciada com o Lada 110. Embora frequentemente apresentado como um “novo modelo”, ele é, na prática, uma reengenharia profunda dessa base, com melhorias estruturais, revisão estética completa, avanços em segurança e refinamento mecânico. Dentro da gama da AvtoVAZ, o Priora assumiu o papel de compacto médio moderno, posicionado acima do Kalina e abaixo de projetos que ainda estavam por vir, como o Vesta. Era o carro que deveria provar que a marca ainda era capaz de evoluir sem depender integralmente de plataformas estrangeiras.
O contexto de desenvolvimento do Priora ajuda a explicar tanto seus avanços quanto suas limitações. A AvtoVAZ ainda operava com recursos restritos, infraestrutura defasada e processos industriais herdados do período soviético, mas já começava a adotar métodos mais próximos dos padrões globais. O Priora nasceu exatamente nesse ponto de transição: mais moderno que qualquer Lada anterior, mas ainda distante dos compactos europeus e asiáticos contemporâneos em termos de engenharia de base.
Do ponto de vista técnico, o Priora mantém a arquitetura de motor dianteiro transversal e tração dianteira, com carroceria autoportante derivada da plataforma do Lada 110, porém significativamente reforçada. A estrutura recebeu melhorias em rigidez torcional, absorção de impactos e controle de ruídos, vibrações e aspereza. Embora não se trate de uma plataforma nova, as revisões foram suficientes para elevar o nível de segurança passiva e permitir a adoção mais ampla de airbags e sistemas eletrônicos básicos.
A suspensão segue uma configuração simples e conhecida: McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira. A calibração continua claramente orientada à robustez e à tolerância a pisos irregulares, característica essencial para o mercado russo. O resultado é um rodar firme, com boa capacidade de absorção de impactos severos, ainda que com limitações evidentes em conforto refinado e controle de carroceria em condução mais dinâmica.
Visualmente, o Priora representa um salto importante em relação aos Lada anteriores. O design abandona definitivamente as linhas excessivamente utilitárias da família 110 e adota uma linguagem mais fluida e contemporânea, com faróis alongados, superfícies suavizadas e proporções mais equilibradas. Embora ainda conservador, o desenho transmite modernidade suficiente para seu período e ajudou a reposicionar a imagem da marca junto ao público mais jovem e urbano.
A carroceria sedã do VAZ-2170 é a mais conhecida, mas o Priora também foi oferecido como hatch e perua, ampliando sua abrangência de mercado. Em todas as versões, a intenção era clara: oferecer um visual aceitável em padrões internacionais, sem recorrer a soluções extravagantes ou custosas.
O interior é um dos pontos onde a evolução do Priora se torna mais evidente. O painel foi completamente redesenhado, com melhor ergonomia, instrumentação mais clara e materiais visualmente mais agradáveis do que os dos Lada anteriores. Embora o uso de plásticos rígidos permaneça predominante, há um ganho perceptível em acabamento, encaixes e sensação de solidez. O isolamento acústico também foi aprimorado, reduzindo significativamente ruídos mecânicos e de rodagem em comparação com o Kalina e a família 110.
O espaço interno acomoda confortavelmente quatro adultos, com um quinto ocupante possível em uso ocasional. O porta-malas da versão sedã oferece capacidade em torno de 430 litros, valor competitivo dentro do segmento, reforçando a vocação familiar do modelo. A posição de dirigir é convencional, com boa visibilidade e comandos simples, priorizando facilidade de uso e manutenção.
Em termos dimensionais, o Lada Priora mede aproximadamente 4,35 metros de comprimento, com largura próxima de 1,68 metro e altura em torno de 1,42 metro. O entre-eixos de cerca de 2,49 metros favorece o aproveitamento interno e a estabilidade em linha reta. O peso em ordem de marcha varia entre 1.080 e 1.150 kg, dependendo da versão e do nível de equipamentos.
A gama de motores do Priora reflete a estratégia de evolução incremental da AvtoVAZ. O principal propulsor é o quatro cilindros 1,6 litro a gasolina, oferecido em diferentes níveis de potência ao longo dos anos, variando aproximadamente entre 98 e 106 cv. Esse motor, embora simples, representa um avanço significativo em relação aos antigos 1,5 e 1,6 das gerações anteriores, com melhor eficiência, funcionamento mais suave e maior confiabilidade quando corretamente mantido.
O desempenho é adequado à proposta. A aceleração de 0 a 100 km/h ocorre em cerca de 11 a 12 segundos, com velocidade máxima próxima de 180 km/h nas versões mais potentes. O consumo médio situa-se geralmente entre 11 e 13 km/l em uso misto, números compatíveis com compactos de concepção semelhante e aceitáveis dentro do contexto russo.
A transmissão é manual de cinco marchas, com engates longos, mas robustos. Em versões mais recentes e específicas, surgiram opções automatizadas simples, porém o foco sempre permaneceu na mecânica tradicional, mais confiável e barata de manter. A tração dianteira garante comportamento previsível, especialmente em condições de baixa aderência, algo fundamental para o mercado doméstico.
No campo da tecnologia e da segurança, o Priora marca um ponto de virada para a AvtoVAZ. Airbags frontais, freios ABS, direção assistida elétrica e ar-condicionado passaram a ser oferecidos de forma mais consistente, especialmente após atualizações de meio de ciclo. Embora ainda distante dos padrões ocidentais em sistemas avançados de assistência, o Priora finalmente atendeu a requisitos mínimos de segurança ativa e passiva exigidos no mercado moderno.
Comercialmente, o Lada Priora foi um sucesso relativo. Na Rússia, tornou-se um dos modelos mais vendidos da marca durante vários anos, sendo amplamente utilizado por famílias, frotas, táxis e órgãos públicos. Sua combinação de preço acessível, manutenção simples e aparência mais moderna que os Lada tradicionais garantiu boa aceitação, especialmente fora dos grandes centros urbanos.
Fora do mercado russo, sua presença foi limitada. Em mercados ocidentais, o Priora já chegava defasado em termos de segurança, acabamento e eficiência, mas ainda encontrou nichos específicos entre compradores que priorizavam robustez extrema e custo baixo.
A confiabilidade do Priora é considerada satisfatória dentro de sua proposta. Os motores 1.6 mostraram boa durabilidade quando submetidos à manutenção correta, e a simplicidade mecânica continua sendo um de seus maiores trunfos. Problemas de acabamento, eletrônica básica e corrosão em climas severos são conhecidos, mas raramente comprometem a funcionalidade essencial do veículo.
Historicamente, o Lada Priora representa o último grande esforço de modernização autônoma da AvtoVAZ antes da influência decisiva da Renault-Nissan na marca. Ele fecha um ciclo iniciado ainda nos anos 1990 e prepara o terreno conceitual para modelos mais modernos, desenvolvidos já sob outra lógica industrial.
Conclusão
O Lada Priora (VAZ-2170) não foi um carro revolucionário, nem pretendeu ser. Seu mérito está na evolução concreta dentro de limites severos. Ao melhorar segurança, design, conforto e eficiência sem abandonar a filosofia de simplicidade e robustez, o Priora tornou-se um dos Lada mais equilibrados já produzidos. Ele simboliza o ponto máximo de maturidade de uma arquitetura antiga e, ao mesmo tempo, o fim de uma era. Como produto industrial, o Priora mostra que a AvtoVAZ ainda era capaz de evoluir por conta própria — mesmo que o futuro da marca exigisse uma ruptura mais profunda do que ele podia oferecer.
Sobre o design:













































