

Granta (2190)
Lada
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Granta – O compacto popular da nova geração
O Lada Granta, identificado internamente como VAZ-2190, representa um dos projetos mais importantes da história recente da AvtoVAZ. Lançado em 2011, ele não nasceu para inovar ou emocionar, mas para cumprir uma missão muito clara e estratégica: garantir a sobrevivência da Lada como fabricante de volume em um mercado cada vez mais competitivo, globalizado e sensível a preço. O Granta é, antes de tudo, um carro de reconstrução industrial, pensado para substituir progressivamente modelos obsoletos como o Lada Samara e os últimos derivados da família clássica Zhiguli.
Seu surgimento está diretamente ligado ao novo contexto da indústria automotiva russa após a entrada da Renault-Nissan como acionista da AvtoVAZ. Pela primeira vez, a Lada precisava operar segundo lógicas modernas de custo, produtividade e padronização global, sem perder sua identidade histórica baseada em simplicidade, robustez e acessibilidade. O Granta foi o primeiro produto verdadeiramente concebido dentro dessa nova realidade.
Desenvolvimento, engenharia e a influência da Renault-Nissan
O desenvolvimento do Lada Granta ocorreu já sob forte influência da aliança Renault-Nissan, embora ainda utilizando majoritariamente engenharia local. A base técnica deriva de uma evolução profunda da plataforma do Lada Kalina, mas com reengenharia estrutural, simplificação de componentes e otimização de processos produtivos. O objetivo central não era sofisticação, mas redução radical de custos sem comprometer requisitos mínimos de segurança, durabilidade e dirigibilidade.
A engenharia foi orientada por princípios de “design to cost”. Cada peça, cada sistema e cada acabamento foram avaliados sob a ótica do custo-benefício. A Renault teve papel relevante ao introduzir métodos industriais mais rigorosos, controle de qualidade mais consistente e racionalização da cadeia de suprimentos, algo inédito na história da AvtoVAZ em larga escala.
Design externo e filosofia estética funcional
O design do Lada Granta é deliberadamente simples. Trata-se de um sedã compacto de três volumes com proporções clássicas, linhas suaves e ausência total de elementos decorativos supérfluos. A prioridade foi criar uma carroceria fácil de estampar, barata de produzir e simples de reparar, especialmente em regiões com infraestrutura limitada.
A dianteira apresenta faróis grandes e grade discreta, enquanto a lateral é limpa e sem vincos complexos. A traseira segue a lógica tradicional de sedã, favorecendo um porta-malas amplo, algo muito valorizado no mercado russo e em outros países emergentes. Visualmente, o Granta não busca personalidade, mas neutralidade — uma escolha consciente e estratégica.
Interior, ergonomia e proposta de uso
O interior do Granta traduz com clareza sua proposta de custo reduzido. O painel tem desenho simples, com plásticos rígidos e poucos elementos de acabamento. No entanto, há uma evolução perceptível em relação aos Ladas mais antigos, especialmente na organização dos comandos, legibilidade dos instrumentos e ergonomia básica.
A posição de dirigir é correta, com boa visibilidade e ajustes suficientes para o uso cotidiano. O espaço interno acomoda confortavelmente quatro adultos, com destaque para o bom espaço para pernas no banco traseiro, resultado direto do entre-eixos bem aproveitado. O porta-malas, com capacidade próxima de 480 litros, é um dos maiores da categoria, reforçando a vocação familiar e utilitária do modelo.
Dimensões, arquitetura e construção
O Lada Granta posiciona-se no segmento de sedãs compactos. Seu comprimento gira em torno de 4,26 metros, com largura aproximada de 1,70 metro e altura próxima de 1,50 metro. O entre-eixos de cerca de 2,47 metros favorece estabilidade e bom aproveitamento do espaço interno. O peso em ordem de marcha varia conforme versão, situando-se geralmente entre 1.060 e 1.120 kg.
A arquitetura é de tração dianteira, com suspensão dianteira McPherson e eixo de torção na traseira. Trata-se de um conjunto simples, robusto e fácil de manter, calibrado para absorver irregularidades severas e resistir a uso intenso em estradas de baixa qualidade, uma exigência central do mercado-alvo.
Motores, transmissões e desempenho
A gama de motores do Granta é composta por propulsores a gasolina de quatro cilindros, desenvolvidos e evoluídos pela própria AvtoVAZ. As opções mais comuns incluem motores 1.6 litro com diferentes níveis de potência, variando aproximadamente entre 87, 98 e até cerca de 106 cavalos nas versões mais recentes. Esses motores utilizam injeção eletrônica multiponto e comando simples, priorizando durabilidade e facilidade de manutenção.
O desempenho é adequado ao uso cotidiano. A aceleração de 0 a 100 km/h fica na faixa de 10,5 a 12 segundos, dependendo da versão, enquanto a velocidade máxima gira em torno de 175 a 185 km/h. O consumo é um ponto positivo, com médias reais que podem superar 12 km/l em uso urbano e alcançar valores mais elevados em estrada, especialmente nas versões menos potentes.
As transmissões incluem câmbio manual de cinco marchas como padrão, além de opções automatizadas simples e, mais recentemente, transmissões automáticas de origem japonesa em mercados específicos, refletindo a integração com a aliança Renault-Nissan.
Suspensão, comportamento dinâmico e condução real
O comportamento dinâmico do Lada Granta é claramente orientado ao conforto e à robustez. A suspensão tem curso longo e calibração macia, absorvendo bem buracos, ondulações e estradas de terra. Em contrapartida, isso resulta em rolagem perceptível da carroceria em curvas mais rápidas e respostas menos precisas em condução esportiva.
A direção, inicialmente hidráulica e posteriormente elétrica em algumas versões, é leve e adequada ao uso urbano, embora pouco comunicativa. Em estrada, o Granta transmite sensação de estabilidade razoável, desde que respeitados seus limites de projeto. Não é um carro feito para entusiasmar, mas para operar de forma previsível e segura em condições difíceis.
Tecnologia, segurança e evolução eletrônica
O Granta marcou um avanço importante para a Lada em termos de eletrônica embarcada. As primeiras versões eram extremamente básicas, mas ao longo dos anos o modelo passou a oferecer itens como ABS, airbags frontais, controle eletrônico de estabilidade em versões mais recentes, ar-condicionado, vidros elétricos e sistema multimídia simples.
Ainda assim, a tecnologia nunca foi o foco central. A eletrônica é funcional, pensada para atender exigências regulatórias e melhorar a segurança básica, sem elevar excessivamente os custos ou a complexidade de manutenção.
Mercado, vendas e impacto comercial
O Lada Granta foi um enorme sucesso comercial no mercado russo. Durante vários anos, figurou como o carro mais vendido do país, tornando-se o pilar financeiro da AvtoVAZ. Seu preço acessível, custo de manutenção baixo e adequação às condições locais fizeram dele a escolha natural para milhões de consumidores.
O modelo também foi exportado para diversos mercados emergentes, sempre com posicionamento de entrada. Em muitos desses países, o Granta competiu diretamente com sedãs compactos chineses e modelos de gerações antigas de marcas globais.
Custos, confiabilidade e experiência de propriedade
O custo total de propriedade é um dos grandes trunfos do Granta. A mecânica simples, a ampla disponibilidade de peças e a facilidade de reparo tornam o carro barato de manter, especialmente em mercados onde a Lada possui rede estruturada. A confiabilidade mecânica é considerada boa, embora a qualidade de acabamento e alguns componentes elétricos ainda variem conforme o ano e a versão.
Legado e importância estratégica
O Lada Granta é, possivelmente, o carro mais importante da Lada no século XXI. Ele não representa um salto tecnológico, mas uma virada estratégica. Foi o modelo que permitiu à AvtoVAZ se manter relevante, financeiramente viável e industrialmente ativa em um mercado extremamente competitivo. Também serviu de base para evolução de processos, qualidade e integração com parceiros internacionais.
Conclusão
O Lada Granta (VAZ-2190) é a materialização da filosofia de sobrevivência industrial aplicada ao automóvel. Ele não busca inovação, status ou emoção, mas entrega exatamente aquilo que promete: transporte acessível, robusto e funcional. Seu sucesso mostra que, em muitos mercados, a racionalidade ainda é um valor central. Dentro da história da Lada, o Granta não será lembrado como um ícone apaixonante, mas como o carro que sustentou a marca em seu momento mais crítico e redefiniu seu papel na mobilidade popular contemporânea.
Sobre o design:












































