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112 (2112)

Lada

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VAZ-2112 – O hatchback moderno

O Lada 112, código interno VAZ-2112, representa a vertente mais contemporânea e tecnicamente ambiciosa da chamada família “110”, desenvolvida pela AvtoVAZ em um dos períodos mais turbulentos de sua história. Lançado no fim da década de 1990, o 2112 surgiu como a interpretação hatchback de cinco portas do Lada 110, em um momento em que o mercado russo começava a se abrir definitivamente para produtos estrangeiros e a comparação direta com modelos europeus e asiáticos tornava-se inevitável. O 112 não pretendia ser apenas uma variação de carroceria, mas sim o esforço mais visível da Lada para se aproximar do conceito de hatch compacto moderno, um formato que já dominava o mercado europeu havia mais de uma década.

Dentro da linha AvtoVAZ, o 2112 ocupava uma posição simbólica. Ele era o modelo que carregava maior expectativa de renovação de imagem, especialmente entre consumidores mais jovens e urbanos, oferecendo uma alternativa menos conservadora ao sedã 2110 e à perua 2111. Em tese, representava o Lada mais “europeu” já produzido até então, ainda que essa ambição esbarrasse em limitações industriais e financeiras claras.

Desenvolvimento, engenharia e contexto histórico

O desenvolvimento do Lada 112 está diretamente ligado ao longo e problemático projeto da família 2110. Iniciado ainda nos anos 1980, o programa previa uma nova geração de veículos de tração dianteira, mais aerodinâmicos e eficientes, capazes de substituir definitivamente os Ladas derivados do Fiat 124. A queda da União Soviética, a crise econômica dos anos 1990 e a obsolescência das linhas de produção atrasaram significativamente a execução do projeto.

Quando o 2112 finalmente chegou ao mercado, ele já carregava um atraso conceitual inevitável. Ainda assim, para os padrões da AvtoVAZ, tratava-se de um avanço importante. A engenharia manteve foco em simplicidade, robustez e baixo custo de produção, mas introduziu melhorias claras em aerodinâmica, rigidez estrutural e eletrônica básica, especialmente em relação aos antigos Samara.

Design externo e filosofia estética

O design do Lada 112 segue a lógica do final dos anos 1990, com superfícies arredondadas, transições suaves e preocupação evidente com o coeficiente aerodinâmico. A carroceria hatchback de cinco portas conferia ao modelo uma aparência mais dinâmica e atual em comparação ao sedã 2110, além de melhorar a versatilidade de uso.

A dianteira é praticamente idêntica à do 110, com faróis integrados e perfil inclinado, enquanto a traseira curta e elevada reforça o caráter urbano do carro. O desenho não chega a ser ousado, mas transmite uma modernidade discreta, especialmente se comparado aos Ladas de gerações anteriores. Para o mercado russo da época, o 112 parecia claramente um produto de “nova geração”, algo fundamental para sua aceitação inicial.

Interior, ergonomia e ambiente a bordo

No interior, o Lada 112 mantém a mesma arquitetura básica da família 2110, com painel de desenho simples, instrumentação clara e comandos diretos. Houve uma tentativa de modernização visual, mas os materiais utilizados continuaram modestos, com plásticos rígidos de qualidade irregular e variações perceptíveis de montagem conforme o ano de produção.

A ergonomia melhorou em relação aos modelos mais antigos da marca, com posição de dirigir mais natural e melhor acesso aos comandos. O espaço interno é adequado para quatro adultos, com bom aproveitamento do entre-eixos, enquanto o porta-malas, menor que o do sedã, ainda assim oferecia capacidade razoável para um hatch compacto, reforçando sua proposta prática.

Dimensões, arquitetura e construção

O Lada 112 enquadra-se no segmento de hatches compactos, com comprimento em torno de 4,17 metros, largura próxima de 1,68 metro e altura de cerca de 1,42 metro. O entre-eixos de aproximadamente 2,49 metros favorece estabilidade e espaço interno coerente com a categoria. O peso em ordem de marcha girava em torno de 1.050 kg, valor relativamente contido.

A arquitetura de tração dianteira representava uma consolidação desse layout dentro da AvtoVAZ. A suspensão dianteira McPherson e traseira por eixo de torção eram escolhas previsíveis, priorizando simplicidade, durabilidade e facilidade de manutenção, especialmente em estradas de baixa qualidade e condições climáticas severas.

Motores, transmissões e desempenho

A gama de motores do Lada 112 era compartilhada com o restante da família 2110. As versões mais comuns utilizavam motores a gasolina de quatro cilindros 1.5 e 1.6 litros, com potências variando aproximadamente entre 72 e 90 cavalos, dependendo da alimentação e do ano. Com o passar do tempo, a injeção eletrônica multiponto tornou-se padrão, substituindo sistemas mais antigos e melhorando consumo e emissões.

O desempenho era modesto, mas adequado à proposta. A aceleração de 0 a 100 km/h ficava na faixa de 12 a 13 segundos nas versões mais potentes, com velocidade máxima próxima de 175 km/h. O consumo era relativamente eficiente para o contexto russo, com médias em torno de 11 a 13 km/l em uso misto. A transmissão manual de cinco marchas era padrão, com engates longos e sensação mecânica simples, mas robusta.

Suspensão, comportamento dinâmico e uso real

No comportamento dinâmico, o Lada 112 mostrava avanços claros em relação aos Ladas mais antigos, mas ainda ficava atrás de concorrentes ocidentais contemporâneos. A tração dianteira proporcionava previsibilidade, especialmente em pisos escorregadios, e a suspensão de curso longo ajudava a absorver irregularidades severas.

Em contrapartida, a calibração macia resultava em rolagem acentuada da carroceria em curvas mais rápidas, e a direção, embora leve, oferecia pouca comunicação. No uso urbano e rodoviário moderado, o 112 se mostrava confortável e fácil de conduzir, cumprindo bem sua função como hatch familiar acessível.

Tecnologia, segurança e eletrônica embarcada

Do ponto de vista tecnológico, o Lada 112 representou um passo adiante para a AvtoVAZ. Versões mais recentes passaram a oferecer injeção eletrônica moderna, computador de bordo simples, vidros elétricos e, em alguns mercados, ar-condicionado. Ainda assim, a eletrônica era básica e, não raramente, fonte de problemas de confiabilidade.

A segurança seguia padrões mínimos. Airbags e ABS eram raros ou inexistentes nas versões iniciais, surgindo apenas de forma limitada em mercados específicos. A estrutura oferecia proteção razoável para o contexto local, mas claramente inferior à de hatches europeus da mesma época.

Mercado, recepção e trajetória comercial

O Lada 112 teve boa aceitação inicial no mercado russo e em alguns países do Leste Europeu, onde o formato hatch e o preço acessível eram atrativos importantes. Ele também foi exportado para mercados emergentes, sempre com posicionamento de baixo custo. No entanto, à medida que carros estrangeiros usados e novos se tornaram mais acessíveis na Rússia, o 112 passou a sofrer forte concorrência, expondo suas limitações de acabamento e tecnologia.

No Brasil, assim como o sedã 110, o 112 chegou apenas de forma pontual e sem impacto comercial relevante, prejudicado pela falta de rede, imagem de marca fraca e concorrência de hatches compactos muito mais modernos.

Custos, confiabilidade e experiência de propriedade

A experiência de propriedade do Lada 112 refletia a filosofia tradicional da marca. Os custos de manutenção eram baixos em mercados com boa disponibilidade de peças, e a mecânica simples permitia reparos baratos. Em contrapartida, a qualidade inconsistente de montagem e a durabilidade irregular de componentes elétricos afetavam a satisfação do proprietário a longo prazo.

Ainda assim, muitos exemplares sobreviveram a condições severas de uso, reforçando a reputação de robustez estrutural e mecânica, mesmo que às custas de conforto e refinamento.

Legado e leitura histórica

O Lada 112 ocupa um lugar peculiar na história da AvtoVAZ. Ele não foi o hatch que colocou a Lada em pé de igualdade com fabricantes globais, mas foi o modelo que mais claramente tentou fazê-lo dentro das limitações existentes. Representa o esforço máximo da engenharia russa tradicional antes da intensificação das parcerias internacionais que viriam nos anos seguintes, especialmente com a Renault.

Conclusão

O Lada 112 (VAZ-2112) é um produto de transição em todos os sentidos. Moderno demais para ser um Lada clássico, mas simples demais para competir plenamente com rivais ocidentais, ele sintetiza as dificuldades e ambições da indústria automotiva russa no pós-URSS. Como hatch compacto, entregava praticidade, robustez e baixo custo, cumprindo bem seu papel em mercados específicos. Seu verdadeiro valor, porém, está no significado histórico: o 112 foi uma das últimas tentativas da AvtoVAZ de evoluir de forma independente, antes de a globalização e as alianças internacionais redefinirem definitivamente o futuro da marca.

Sobre o design:

O Lada 112, código VAZ-2112, é um automóvel que tenta condensar modernidade em escala reduzida. Ele nasce como resposta compacta a um mundo que se acelera, mas o faz carregando ainda o peso de estruturas mentais e industriais mais antigas. Sua forma é a de um compromisso: entre a necessidade de parecer atual e a impossibilidade de romper completamente com o passado. O 2112 não se afirma pelo excesso, mas pela tentativa de síntese — uma tentativa honesta, ainda que incompleta, de traduzir contemporaneidade em chapa estampada. Onde Nasceu o Design: O design do Lada 112 surge nos estúdios da AvtoVAZ como a terceira variação formal da família 110, após o sedã 2110 e a perua 2111. Desenvolvido no contexto da Rússia pós-soviética, o projeto carrega a reputação de um esforço tardio de alinhamento com tendências ocidentais dos anos 1990, especialmente a tipologia hatchback compacto. Não há autor identificado nem gesto autoral forte; o 2112 é produto de uma engenharia que tenta se atualizar sem acesso pleno a novos processos, softwares ou linguagens globais. É um design nascido mais da necessidade estratégica do que da liberdade criativa. Design exterior: O exterior do Lada 112 é definido pela tentativa de compactação visual. A dianteira mantém o mesmo desenho do 110, com faróis ovais suavemente integrados e grade mínima, criando um rosto discreto e quase introspectivo. O capô curto e a frente relativamente alta revelam limitações estruturais, mas também uma intenção de robustez urbana. As laterais são limpas e pouco tensionadas, com superfícies amplas e uma linha de cintura contínua que percorre toda a carroceria sem variações dramáticas. A principal transformação ocorre na traseira: o corte hatch encurta o volume, criando uma silhueta mais concentrada e visualmente dinâmica do que a do sedã e da perua. Ainda assim, a traseira permanece alta e funcional, com lanternas simples e abertura ampla. O Lada 112 não sugere velocidade; sugere praticidade compacta. Design interior: O interior do Lada 112 repete integralmente a arquitetura do 110, agora reinterpretada em um espaço mais contido. O painel é simples, de superfícies planas e organização direta, sem tentativa de envolvimento emocional. Tudo é funcional, direto, quase pedagógico. Os bancos utilizam espuma de densidade média a baixa, com desenho básico e ergonomia correta dentro das limitações do projeto. A posição de dirigir é ereta, com boa visibilidade frontal, reforçando sensação de controle direto. O espaço interno reduzido em relação ao sedã não compromete a lógica do carro: ele é pensado para deslocamentos curtos, urbanos, repetitivos. O interior não acolhe; ele acompanha. Cores e materiais: Externamente, o Lada 112 adota a mesma paleta cromática funcional da família: brancos sólidos, cinzas claros, azuis apagados, verdes discretos e metálicos simples. A pintura apresenta brilho direto, pouca profundidade cromática e comportamento previsível da luz, revelando superfícies sem intenção escultórica. Internamente, predominam plásticos rígidos de granulação evidente, tecidos simples e acabamentos sem tratamento refinado. Os materiais são escolhidos por custo e resistência, não por prazer sensorial. A sensação tátil é crua e direta, coerente com um carro pensado para uso cotidiano intenso e manutenção simples. Painel interno: O painel do Lada 112 é um exercício de funcionalidade mínima e repetida. Instrumentos analógicos simples oferecem leitura clara, com grafismos básicos e pouca hierarquia visual. Os comandos físicos possuem curso longo e resposta mecânica evidente, exigindo gesto consciente. As saídas de ventilação são utilitárias, sem integração formal elaborada. O volante grande e simples reforça a sensação de controle físico direto. O painel não cria atmosfera nem identidade própria; ele fornece informação essencial. Estrutura e proporção: As proporções do Lada 112 revelam sua tentativa de modernização por redução. O entre-eixos permanece o mesmo da família 110, mas os balanços mais curtos — especialmente o traseiro — criam uma silhueta mais compacta e menos institucional. A massa visual é mais concentrada, o que confere ao carro uma postura ligeiramente mais ágil, ainda que apenas visualmente. O 2112 parece mais urbano e menos pesado que seus irmãos, mas ainda transmite sensação de robustez e resistência. Sua arquitetura comunica adaptação, não refinamento. Curiosidades e bastidores de design: O VAZ-2112 foi pensado para competir com hatches compactos ocidentais já consolidados, mas chegou ao mercado com atraso tecnológico significativo. Ainda assim, tornou-se popular por oferecer mecânica simples, manutenção acessível e carroceria mais curta, adequada ao uso urbano. Em algumas versões esportivas, o desenho ganhou pequenos acentos visuais, revelando como a forma básica podia sustentar narrativas mais aspiracionais sem realmente se transformar. Filosofia estética: A estética do Lada 112 é a da modernidade cautelosa. Ele acredita que o design pode sugerir atualização sem exigir ruptura. Suas formas são neutras, suas superfícies disciplinadas, sua linguagem visual contida. É um design que tenta acompanhar o tempo sem desafiá-lo. Sua moral estética está na adaptação contínua. Síntese estética: Em síntese, o Lada 112 é um automóvel que representa a compactação de um projeto maior — técnica, histórica e culturalmente. Ele traduz o esforço de uma indústria em transição para dialogar com a cidade contemporânea sem abandonar completamente suas bases. Sua silhueta hatch, seus materiais austeros e sua arquitetura pragmática fazem dele símbolo de uma modernidade possível, não ideal. O 2112 não quis reinventar o automóvel — quis manter-se relevante. E é nessa relevância esforçada, mas sincera, que reside sua identidade estética.

Olha essas sugestões

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